Os Anjos Da Guarda

sexta-feira, 5 de abril de 2013


“Eis que eu enviarei o meu anjo,
que vá adiante de ti, e te guarde
pelo caminho, e te introduza
no lugar que preparei”.
(Ex 23, 20-23)
DEUS, no seu amor infinito pelos homens, entregou
cada um de nós à guarda e cuidado especial de um anjo,
que nos acompanha desde o nascimento até a morte: o
Anjo da Guarda.
Essa doutrina foi sempre ensinada pela Igreja ( Cf.
Catecismo Romano, Parte IV, cap. IX, n. 4. ) e se baseia em 12
testemunhos da Sagrada Escritura e da Tradição — Santos Padres, Magistério Eclesiástico, Liturgia.

As Escrituras e os Santos Padres
O Antigo Testamento faz contínuas referências a
esses anjos que nos servem de protetores. Mais do que
nos ensinar explicitamente tal verdade, parece dá-la por
suposta em suas narrações.
Jacó ao abençoar seus netos, filhos de José, diz:
“Que o anjo que me livrou de todo o mal, abençõe estes
meninos” (Gen 48, 16)
Nas palavras seguintes de Deus a Moisés encontramos os múltiplos ofícios que incumbem ao Anjo da
Guarda, de proteção e de conselho: “Eis que eu enviarei o
meu anjo, que vá adiante de ti, e te guarde pelo caminho,
e te introduza no lugar que preparei. Respeita-o, e ouve
a sua voz, e vê que não o desprezes; porque ele não te
perdoará se pecares, e o meu nome está nele. Se ouvirdes
a sua voz, e fizerdes tudo o que te digo, eu serei inimigo
dos teus inimigos, e afligirei os que te afligem. E o meu
anjo caminhará adiante de ti” (Ex 23,20-23).
Por meio do profeta Baruc, Deus comunica a Israel:
“Porque o meu anjo está convosco, e eu mesmo terei cuidado das vossas almas” (Bar 6,6)
O Salmo 90 exprime, com muita poesia, a solicitude de Deus para conosco, por meio do Anjo da Guarda:
“O mal não virá sobre ti, e o flagelo não se aproximará da
tua tenda. Porque mandou (Deus) os seus anjos em teu
favor, que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te
levarão nas suas mãos, para que o teu pé não tropece em
alguma pedra” (SI 90, 10-12).
E outro Salmo proclama: “O anjo do Senhor assenta
os seus acampamentos em volta dos que o temem, e os
liberta” (SI 33, 8).
Lançado na cova dos leões, por intriga de invejosos, Daniel foi socorrido por um anjo: “O meu Deus enviou
o seu anjo, e fechou as bocas dos leões e estes não me
fizeram mal algum” (Dan 6, 21).
Fala-se, no Livro dos Reis, de um exército de carros
que cercavam o profeta Eliseu (4 Reis 6, 14-17). São Tomás vê aí uma imagem do poder dos Anjos Custódios e a
preponderância dos anjos bons sobre os maus.
São inúmeras as passagens do Antigo Testamento
que fazem referência à doutrina sobre os Anjos da Guarda. Em nenhuma porém, a solicitude dos anjos para com
os homens fica tão patente como no livro de Tobias.* E
por isso que ele é muito citado sempre que se trata da
matéria.
*Este livro da Sagrada Escritura é todo ele rico de
ensinamentos sobre esta doutrina, de maneira que não
basta transcrever aqui uma ou outra passagem dele; assim, convida-mos o leitor a lê-lo diretamente na Bíblia.
Esse ensinamento se torna mais preciso no Novo
Testamento, onde a existência do Anjo da Guarda é confirmada pelo próprio Salvador. Aos seus discípulos, advertindo-os contra os escândalos em relação às crianças, diz:
“Vêdes que não desprezeis a um só destes pequeninos,
pois eu vos declaro que os seus anjos vêem continuamente a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18, 10). Essas
palavras deixam claro que mesmo as crianças pequenas
têm seus Anjos Custódios, como também que estes anjos
mantém a visão beatífica de Deus ao descer à terra para
atender e proteger a seus custodiados.
Também São Paulo se refere ao papel protetor dos
anjos em relação aos homens: “Não são eles todos espíritos a serviço de Deus mandados para exercer o ministério
a favor dos que devem obter a salvação?” (Heb 1, 14).

Os Santos Padres ensinam desde
cedo essa doutrina.
São Basílio (329-379), entre os gregos, afirma:
“Que cada qual tenha um anjo para o dirigir, como pedagogo e pastor, é o ensinamento de Moisés” ( Apud Card. J.
DANIELOU, Les Anges et leur mission, p. 93. )
E, entre os latinos, São Jerônimo (342-420) assim
comenta passagem de São Mateus (18, 10), acima citada,
sobre os anjos das crianças: “Isto mostra a grande dignidade das almas, pois cada uma tem, desde o nascimento,
um anjo encarregado de sua guarda” (Comm. in Evang.
5. Matth., lib. III, ad cap. XVIII, 10 Apud Card. P. GA5PARRI
Catechisme Catholique pour Adultes, p. 346. )
A crença na existência e atuação dos Anjos da
Guarda está tão firmemente estabelecida na tradição da
Igreja, que desde tempos imemoriais foi instituída uma
festa especial em louvor deles (2 de outubro).

O ensinamento dos teólogos
A partir dos dados da Sagrada Escritura e da Tradi-
ção, teólogos foram explicitando ao longo dos séculos uma
doutrina sólida e coerente sobre os Anjos da Guarda.
O príncipe dos teólogos, São Tomás de Aquino, na
sua célebre Suma Teológica, (Suma Teológico, 1,q. 113.)
expõe largamente essa doutrina.
O santo Doutor justifica a existência dos Anjos da
Guarda pelo princípio de que Deus governa as coisas inferiores e variáveis por meio das superiores e invariáveis.
O homem não só é inferior ao anjo, mais ainda está sujeito
a instabilidades e variações por causa fraqueza de seu
conhecimento, das paixões, etc. Assim, ele é governado e
amparado pelos anjos, que servem como instrumentos da
providência especial de Deus para com os homens.
A função principal do Anjo da Guarda é iluminar nos em relação a verdade, à boa doutrina; mas sua custó-
dia tem também muitos efeitos, tais como reprimir os demônios e impedir que nos sejam causados outros danos espirituais ou corporais.

Cada homem tem um anjo especialmente encarregado de guardá-lo, distinto do das coletividades humanas
de que façam parte. Estas têm anjos especiais para cus-13
todiá-las; enquanto os anjos dos indivíduos pertencem ao
último coro angélico, o das coletividades ou instituições
podem fazer parte dos coros e hierarquias superiores.
Como há vários títulos pelos quais um homem necessita ser especialmente protegido (ou seja, considerado
enquanto particular ou como ocupando um cargo ou fun-
ção na Igreja a ou na sociedade), um mesmo homem pode
ter vários anjos para custodiá-lo.

A Virgem Santíssima, Rainha dos Anjos, teve também não um, mas os Anjos da Guarda. Enquanto homem,
Jesus teve Anjos da Guarda; não evidentemente para
protegê-Lo, pois o inferior não guarda o superior, mas
para servi-Lo.

Fonte: Livro Anjos e Demonios, a luta contra o poder das trevas - Autor: Solimeo

Share this article :

0 comentários:

Comente Abaixo!

 
Copyright © 2013 Mistagogia Catolica - Todos os Direitos Reservados