Poder dos anjos sobre a matéria

sexta-feira, 29 de março de 2013


É um tanto misterioso a nós o modo como os anjos,
seres espirituais, possam mover a matéria.
No entanto tal poder está formalmente revelado,
como se pode ver, por exemplo, no livro de Daniel.
O profeta fora jogado na cova dos leões para que perecesse;
por ação divina, os animais não fizeram mal: “O
meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões e
estes não me fizeram mal algum” (Dan 6, 21). No entanto,
para alimentá-lo, Deus quis servir-se do profeta Habacuc,
conduzido até a cova por um anjo.
Narra a Escritura: “Estava então o Profeta Habacuc
na Judéia, e tinha cozido um caldo, e esfarelado uns pães
dentro duma vasilha, e ia levá-los ao campo aos ceifeiros
que lá estavam. E o anjo do Senhor disse a Habacuc: Leva
a Babilônia essa refeição que tens, para a dares a Daniel
que está na cova dos leões. E Habacuc respondeu: Senhor
eu nunca vi a Babilônia e não sei onde é a cova. Então
o anjo do Senhor tomou-o pelo alto da cabeça e, tendo-o
pelos cabelos, levou-o com a impetuosidade do seu espírito
até Babilônia, sobre a cova” (Dan 14, 32-35).
O próprio Salvador deixou-se carregar pelo demônio
até o alto monte para ser tentado (cf. Mt 4, 5-8).
Em São Mateus, sobre a Ressurreição de Nosso
Senhor, está escrito: “Um anjo do Senhor desceu do céu,
e, aproximando-se, revolveu a pedra, e estava sentado
sobre ela” (Mt 28, 2).*
*Cf. Suma Teológica, 1,qq. 52, 107,110-112.
Embora a questão, como dissemos, seja algo misteriosa,
procuraremos sintetizar aqui a doutrina de São
Tomás de Aquino a respeito.
Antes de tudo, convém lembrar o que ensina o santo
Doutor a respeito do modo como os anjos encontramse
em um lugar: enquanto os seres corpóreos manifestam
sua presença num lugar circunscrevendo-o pelo contato
físico de seu corpo com o lugar ocupado, as criaturas incorpóreas
delimitam o lugar por meio de um contato operativo.
Quer dizer: elas estão no lugar onde agem.


Quanto ao modo como os anjos movem a matéria.
É a seguinte explicação tomista:
O ser superior pode mover os inferiores porque tem
em si, de um modo mais eminente, as virtualidades desses
seres inferiores. Assim, o corpo humano é movido por
algo superior a ele, a alma, que é espiritual, a qual, através
da vontade, que também é imaterial, move os membros
corpóreos a seu bel-prazer; logo, não repugna à razão que
uma substância espiritual possa mover a matéria.
Entretanto, no caso da alma humana, ela só pode
mover diretamente aquele corpo com o qual está substancialmente
unida; as demais coisas, ela só pode mover por
meio desse corpo;* ora, como os anjos são seres espirituais,
não estando substancialmente unidos a nenhum corpo
material, sua força de ação sobre a matéria não está
delimitada por nenhum corpo determinado; dai se segue
que eles podem mover livremente qualquer matéria.
* Por exemplo, para mover uma caneta sobre o papel
no escrever, nós precisamos segurá-la com a mão e
através desta imprimir o impulso que fará a caneta deslizar
no papel e traçar as letras que desejamos; eu não
posso mover diretamente a caneta, por um simples ato de
vontade: pelo ato de vontade eu agarro a caneta e movo
minha mão segundo meus intentos.
Esse movimento se produz pelo contato operativo
do anjo a matéria, impulsionando um primeiro movimento
local; por meio desse primeiro movimento local o anjo
pode produzir outros movimentos na matéria utilizandose
dos próprios recursos dela, com o ferreiro se utiliza do
fogo para dobrar o ferro.
O Cardeal Lepicier observa que, como os anjos
possuem conhecimento das leis físicas e químicas que
ultrapassa tudo quanto a Ciência possa ter descoberto ou
venha a descobrir, e, além do mais, têm um poder imenso
sobre a matéria, podemos dizer que dificilmente se encontrarão
no Universo fenômenos que os anjos não possam
produzir, de um modo ou de outro. Esses fenômenos
são por vezes tão surpreendentes, que chegam a parecer
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verdadeiros milagres. Porém, não são milagres, pois embora
ultrapassem de longe a capacidade dos homens, não
estão acima do poder angélico. Ele exemplifica:
“Um rápido exame dos fenômenos que ocorrem no
mundo físico bastará para nos dar uma idéia dos maravilhosos
efeitos a que os seres angélicos podem dar causa.
Em primeiro lugar, assim como, devido às forças da natureza,
massas enormes se podem deslocar, ou, sob a ação
de agentes físicos, os elementos da matérias dissolvem
ou trabalham em conjunto, como quando provocam as
tempestades, furacões e procelas — assim também um
anjo, sem a cooperação de quaisquer agentes intermediários,
transfere de um lugar para outro os corpos mais
pesados, levanta-os e conserva-os suspensos durante
determinado tempo, agita as mais pesadas substâncias e
provoca colisões entre elas. Pode o mesmo anjo revolver
cidades e vilas, provocar terremotos e encapelar as ondas
do mar, originrar tempestades e furacões, parar a corrente
dos rios e, se assim o entender, dividir as águas do mar.
“Além de tudo isso, pode também um anjo, usando
das próprias forças, produzir os mais surpreendentes
efeitos óticos, não só obrigando substâncias desconhecidas
para nós espargir jorros de luz, mas também projetanto
sombras que se assemelham a representações
fantasmagóricas. Pode ainda, sem a ajuda de qualquer
instrumento, pôr em movimento os elementos da matéria,
fazer ouvir a música mais harmoniosa ou produzir os mais
estranhos ruídos, tais como pancadas repetidas ou explosões
súbitas. São ainda os anjos capazes de aglomerar
nuvens, provocar relâmpagos e trovões, arrancar árvores
gigantescas, arrasar edifícios, rasgar tecidos e quebrar as
rochas mais duras. É-lhes também possível fazer com que
um lápis escreva, por assim dizer automáticamente, certas
frases com um sentido inteligível, assim como dar aos
objetos formas diferentes das que são peculiares à sua
natureza. Podem, até certo ponto, suspender as funções
da vida, parar a respiração dum corpo, acelerar a circulação
do sangue e fazer com sementes lançadas à terra
cresçam dentro de pouco tempo, até atingirem a altura
duma árvore, com folhas, botões e até com frutos.
“A um anjo é possível fazer todas estas coisas no
mais breve espaço de tempo por causa do seu poder sobre
os elementos da matéria, e sem a menor dificuldade,
imitando perfeitamente as obras da natureza e dando em
tudo a impressão de que se trata de efeitos s a causas
naturais” .*
*Cardeal A. LEPICIER, O Mundo Invisível. pp. 74-
75.

Fonte: Livro Anjos e Demonios, a luta contra o poder das trevas - Autor: Solimeo


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